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Agronegócios

Governo abre crédito de R$ 9 bilhões para máquinas agrícolas

Medida provisória foi justificada devido ao cenário de instabilidade com a retomada da guerra no Oriente Médio e riscos do El Niño

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A Medida Provisória 1.377/2026, publicada em edição extra do Diário Oficial da União na quinta-feira (16/7), abriu crédito extraordinário de R$ 9 bilhões para aporte da União no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Os recursos serão aplicados em linha de financiamento aos produtores rurais para aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas de fabricação nacional.

Esses valores foram incluídos no Plano Safra 2026/27, para engordar o número total anunciado em 30 de junho, e serão repassados aos bancos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio do programa Move Agricultura. Ainda não houve regulamentação da medida e os recursos não estão disponíveis para empréstimo até agora.

Para editar a MP, o governo justificou “urgência” em oferecer os montantes para inovação no campo diante da piora nas condições de acesso ao crédito rural e disse que houve “imprevisibilidade” no cenário por conta da retomada da guerra no Oriente Médio nos últimos dias.

A autorização para uso de recursos do FNDCT em financiamentos à agricultura foi oficializada na MP 1.374/2026, de 30 de junho deste ano. No entanto, ainda não havia disponibilidade de recursos para isso.

O governo tentou abrir o crédito suplementar para garantir recursos para o novo programa por meio de um Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN 17/2026), que é relatado pelo senador e ex-ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT). A proposta, no entanto, ainda não foi votada e o Parlamento entrará em recesso a partir desta sexta-feira (17/7). A alternativa encontrada foi editar a MP com a geração da nova despesa.

Os PLNs podem ser usados para ajustar o orçamento, com a suplementação de recursos, em situações que podem ser previstas ou planejadas, como remanejamento de verbas entre ministérios ou criação de um novo programa. Já as MPs servem para justificar despesas imprevisíveis e urgentes.

Na justificativa da MP 1.377, o governo disse que a “demora para aprovação do PLN poderia comprometer a efetividade da ação governamental”. O Executivo citou ainda que os pressupostos constitucionais de relevância, urgência e imprevisibilidade para abertura do crédito extraordinário foram cumpridos.

No caso do aporte de recursos para o FNDCT, o governo afirmou que a medida é “relevante em razão da importância do setor produtivo rural para a economia brasileira e da necessidade de assegurar instrumentos de difusão tecnológica no campo, com vistas ao aumento da produtividade, à sustentabilidade agrícola e à inserção competitiva do país”. A medida será viabilizada mediante “linha de financiamento reembolsável a projetos de disseminação tecnológica baseada em equipamentos inovadores nacionais”, disse na exposição de motivos da MP.

O governo justificou que há urgência na edição da MP para garantir recursos suficientes e tempestivos para a inovação na produção rural por conta da “deterioração das condições de crédito e de elevação do custo e da restrição do financiamento, agravado pelo risco de o fenômeno El Niño ser mais severo, o que exigiria aumento da difusão tecnológica e da produtividade para garantir a competitividade da safra”.

Dos R$ 12,5 bilhões disponibilizados para financiamento no Moderfrota na safra 2025/26, apenas R$ 4,2 bilhões foram acessados. Os recursos tinham juros de 13,5% e 12,5% ao ano, para grandes e médios produtores, respectivamente. O Move Agricultura deverá ter taxa de 9,2% e ser mais atrativo, justifica o governo.

A imprevisibilidade, segundo o Executivo, decorre da “reversão inesperada do cenário — quando da edição da MP nº 1.374, de 2026, negociava-se a paz no Oriente Médio e o petróleo Brent situava-se em torno de US$ 70/barril —, tendo sobrevindo a quebra da trégua, a retomada do conflito, novo fechamento do Estreito de Ormuz e a rápida elevação do Brent para cerca de US$ 80/barril, com aumento da aversão ao risco e dos juros”.

Os R$ 9 bilhões destinados a financiamentos de máquinas agrícolas nacionais serão oriundos do superávit financeiro apurado no balanço patrimonial do FNDCT em 2025. A Finep ou o Conselho Monetário Nacional (CMN) ainda deverão regulamentar a medida, que será tratada como crédito rural. Ao todo, o governo anunciou R$ 10 bilhões para a linha.

FONTE: GLOBO RURAL

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Agricultura

Produtores avaliam mercado futuro de leite

Ferramenta busca reduzir a volatilidade dos preços e dar mais previsibilidade à renda dos produtores, mas ainda desperta dúvidas no campo

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A exemplo de commodities como soja, milho e boi gordo, a possibilidade de negociar contratos futuros para lácteos vem sendo incentivada por especialistas e avaliada entre os produtores. A opção do mercado futuro é fundamentada em levar ao campo mais previsibilidade sobre o valor que será recebido pela produção.

Esse formato de negociação foi um dos temas que estiveram em pauta durante a Expoleite, feira promovida pela Capal Cooperativa Agroindustrial em Arapoti, na região dos Campos Gerais do Paraná, entre os dias 2 e 4 de julho.

“Estamos atuando de forma educacional, ainda com cautela, mas acreditamos que em momentos com grandes oscilações de preço do leite esse perfil de ferramenta pode representar um seguro para a propriedade, para possibilitar investimentos”, avalia Dinarte Garrett, coordenador de Pecuária Bovinos da Capal.

A cooperativa comercializa 12 milhões de litros de leite por mês de produtores do Paraná e de São Paulo. A produção é destinada às unidades de beneficiamento do grupo Unium (mantido pela Frísia, Castrolanda e Capal), localizadas nos municípios paranaenses de Castro e Carambeí, e no parque industrial de Itapetininga (SP).

No mercado futuro, os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data adiante com preços já definidos. O instrumento financeiro de proteção (“hedge”), que visa minimizar os riscos das oscilações do preço do leite, está em funcionamento no país desde 13 de maio.

Dinarte Garrett é coordenador de Pecuária Bovinos da Capal — Foto: Jessica Fonseca

A ferramenta foi lançada pela consultoria StoneX Leite Brasil, com apoio do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). No Paraná, o Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Estado, também atua na difusão do formato.

Desconfiança

A novidade ainda desperta desconfiança de produtores. “Já ouvi falar, mas não sei se vai funcionar, não tenho informações corretas ainda”, diz o produtor Wilko Laurens Verburg, de Arapoti.

Em sua propriedade, a produção é de 19 mil litros de leite por dia, com 460 vacas em ordenha mecanizada. “Hoje, a gente precisa ter eficiência na gestão para uma produção de qualidade. Por outro lado, quanto aos preços, não estou otimista. A partir de setembro deve ter nova queda”, acredita.

Produtor Wilko Laurens Verburg e a esposa na propriedade em Arapoti (PR) — Foto: Departamento Comunicação Sistema Faep

A produtora Ellen Biersteker, também de Arapoti, considera o mercado futuro para o leite um tema complexo. “Não cheguei a me aprofundar, mas se for para melhorar a rentabilidade, pode ser válido. Com o leite, a gente produz o mês inteiro e não sabe quanto vai receber. Tem projeções, mas que só se confirmam na entrega do produto”.

Ela ainda destaca que, diferentemente de outras atividades do agro, o leite é perecível e tem um curto prazo para ser comercializado. Com 380 vacas em lactação, a produção diária na propriedade dela é de aproximadamente 11,4 mil litros.

Avaliação

De acordo com Dinarte Garrett, da Capal, o objetivo das ações educativas é levar informações para que o produtor possa atuar de maneira segura no mercado futuro. “É algo novo no Brasil, estamos avaliando o cenário para ver as melhores oportunidades com grupo de produtores ou situações individuais”. Garrett comenta que ainda não há cooperados utilizando a ferramenta, mas há muitos interessados.

O preço do leite pago ao produtor associado está girando em torno de R$ 2,75 a R$ 3,00 variável conforme tabela de qualidade do produto, segundo o coordenador. Ele destaca que entre as características dos produtores de leite da região está o investimento em genética e ambiência dos rebanhos, e que a Capal atua para levar diretrizes que possam aprimorar os indicadores e também otimizar custos.

Segundo Marianne Tufani, consultora em gestão de riscos da StoneX que foi palestrante na Expoleite, a proposta da empresa é desmistificar o mercado futuro como modelo de negócio. O instrumento vem sendo apresentado para produtores de todo o país e também para laticínios e cooperativas. “Os produtores têm muitas dúvidas, mas estão demonstrando bastante interesse”, afirma.

De acordo com ela, a opção está obtendo uma boa aderência, e os primeiros contratos devem ser fechados nas próximas semanas.

Marianne diz que a ferramenta já é consolidada fora do país, principalmente na Europa, além de Estados Unidos e Nova Zelândia, os maiores exportadores de leite, assim como na Ásia. “A opção foi lançada há 30 anos lá fora pela StoneX, que foi a pioneira, e levou em torno de quatro anos até que os produtores entendessem o objetivo”, explica.

Como funciona

A operação ocorre no mercado Mercado OTC (“Over-The-Counter”) ou mercado de balcão, ambiente de negociação descentralizado fora das bolsas de valores tradicionais. A corretora StoneX utiliza os indicadores do Cepea para a liquidação dos contratos:

  • Leite UHT Sudeste (R$/litro)
  • Queijo Muçarela Sudeste (R$/kg), ambos de divulgação diária;
  • Leite em Pó Industrial 25 quilos São Paulo (R$/kg), de periodicidade semanal.

O lote mínimo é de 40 mil litros de leite ao produtor, mas é possível fechar contratos via laticínios e cooperativas, o que pode beneficiar produtores com volume de produção menor. “É uma solução muito demandada pelo mercado, devido ao aumento de volatilidade e da falta de previsibilidade do setor. A principal vantagem é que o produtor consegue se antecipar, planejar investimentos, aumentar escala e ter saúde financeira de longo prazo”, detalha.

Aberta a produtores e indústrias, esse modelo de negócio não altera a comercialização física do produto. Para acessar a ferramenta, é necessário ter uma conta na corretora.

A jornalista viajou a convite da Capal Cooperativa Agroindustrial

FONTE: GLOBO RURAL

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