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Agricultura

Preço do café tem alta impulsionada por colheita atrasada no Brasil

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O preço do café fechou o pregão em alta nesta segunda-feira (20/7) na bolsa de Nova York. Os lotes com entrega para setembro de 2026 avançaram 1%, cotados a US$ 3,2350 a libra-peso.

O atraso na colheita da safra brasileira segue sendo o maior fator de impulso da cotação. Na sexta-feira (17/7), a consultoria Safras & Mercado informou que 64% da área já foi colhida, abaixo dos 77% registrados na safra anterior.

Cacau

Já o cacau segue em queda. Os contratos da amêndoa com vencimento em setembro de 2026 fecharam em baixa de 0,47%, cotados a US$ 5.507 a tonelada.

Suco de laranja

Os contratos de suco de laranja concentrado e congelado fecharam em forte alta. Os papéis mais negociados, com vencimento em setembro de 2026, estão cotados a US$ 1,4690 a libra-peso, com avanço de 6,30%.

Açúcar

O açúcar encerrou o dia em leve baixa na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em outubro de 2026 caíram 0,13%, negociados a US$ 14,81 a libra-peso.

Algodão

Por fim, o algodão fechou em leve alta. Os papéis da pluma com entrega para dezembro de 2026 recuaram 0,53%, cotados a 79,05 centavos de dólar por libra-peso.

Fonte: Globo Rural

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Agricultura

Produtor vai ‘pisar no freio’ no uso de fertilizantes na safra 2026/27

Guerra no Oriente Médio expôs a dependência do Brasil pelos insumos importados

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O diretor-técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Maciel Silva, afirmou nesta quarta-feira (12/8) que, diante de custos maiores e margens mais apertadas no campo, a importação e uso de fertilizantes fosfatados pode cair entre 20% e 25%. Segundo ele, a distribuição desses produtos tem pico entre abril e agosto, que deverá ser deslocada por conta da alta nos preços influenciada pela guerra no Irã.

Sobre os fertilizantes nitrogenados, ele observou uma recuperação no ritmo de comercialização por conta de um arrefecimento recente nos preços desse insumo. “Já os fosfatados têm uma distribuição mais homogênea, com pico entre abril e agosto, que eu acho que vai deslocar, inevitavelmente, e vai ter volume menor, de 20% a 25% do que ocorreu em 2025”, afirmou durante participação no Fórum Mais Milho, organizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília.

A guerra no Oriente Médio expôs a dependência do Brasil pelos fertilizantes importados, ressaltou o diretor, com impactos diretos no fornecimento de enxofre, insumo do ácido sulfúrico usado para produção de adubos fosfatados. “Isso expôs o que já estava agravado de indisponibilidade de enxofre e fez com que os custos dos fosfatados subissem e não recuassem”, disse no evento.

Ele também observou uma mudança na dinâmica do mercado mundial desses produtos, com movimentos de retração no comércio de China e Rússia, exportadores dos insumos. Silva também destacou o surgimento do Turcomenistão como quinto maior fornecedor de fosfatados para o Brasil recentemente.

“[O país] nunca tinha aparecido no mapa de fertilizantes. Isso mostra o potencial alteração de dinâmica do mercado”, disse. Segundo ele, essa alteração ocorreu em 2022, com a guerra na Ucrânia e impactos no fornecimento de ureia. “A mudança naquela época tornou a Nigéria o maior fornecedor de nitrogenados, e ainda é. Isso para nós foi bom, teve deslocamento e pulverização no fornecimento, que amenizou o risco que estamos vivenciando agora”, disse.

Para Maciel Silva, a safra 2026/27 será marcada pela redução no uso de fertilizantes. “Vai ser uma safra que devemos utilizar menos fosfatados. Alguns produtores vão tirar o pé, não tem outra alternativa. Não por não encontrar para comprar, mas com o custo, o potencial climático de efeito sobre a safra e estreitamento de margem, a decisão [de tirar o pé] pode ser sábia para o momento para tentar fechar as contas”, completou.

O secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo, demonstrou preocupação com a perspectiva de redução no pacote tecnológico dos produtores.

“Uma eventual redução do pacote tecnológico, sem reserva no solo que possa dar suporte a condição climática adversa, pode ser ainda pior”, disse. “Nossa preocupação é que não falte crédito. Não é fácil a construção (…) É frustrante fechar um Plano Safra com desempenho aquém do que se imaginou”, completou.

O secretário comentou que houve um esforço para reduzir os juros do custeio, mas que a dificuldade é maior em momento de restrição fiscal. Na reta final de negociação do Plano Safra, o governo já havia decidido que a taxa para a linha de custeio empresarial seria de 13% ao ano, mas o Ministério da Agricultura defendeu corte para 12,5%.

“Tivemos que sacrificar R$ 6 bilhões de programas de investimentos por causa de 0,5 ponto porcentual no custeio. Mas tivemos o cuidado de não ter nenhuma linha de investimento com programação menor do que foi executado na safra anterior”, relatou.

Vaz admitiu que a contratação de crédito rural em julho, primeiro mês da safra 2026/27, foi menor, mas disse que o valor de R$ 28,2 bilhões “não é desprezível”. Mais de 66% do montante, no entanto, é oriundo de Cédulas de Produto Rural (CPRs).

O desafio também é de preço, disse o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber. Ele relatou que a cotação média do milho no país passou de R$ 77 em 2022 para R$ 52 agora. Em Mato Grosso, o índice está em R$ 43 por saca, valor que praticamente significa prejuízo ao produtor do Estado.

Ele comentou que o custo de produção estimado para a safra 2026/27 já subiu, para cerca de R$ 7,3 mil por hectare, nas contas do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), acima dos R$ 6,7 mil consolidados da temporada 2025/26. A produtividade média de Mato Grosso está em 128,6 sacas por hectare.

A saída, disse ele, é tentar melhorar o consumo do cereal. “Hoje 28% do milho de Mato Grosso vai para a produção de etanol, saímos de 11 milhões de toneladas em 2021 para 22 milhões de toneladas agora o consumo interno”, disse.

Por Rafael Walendorff — Brasília

Fonte: Globo Rural

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